Confesso que ouvi muito essa canção da Edith Piaf quando era jovem. Ouvi na maioria das vezes cantada em francês. A melodia me encantava e as palavras em francês, língua doce e suave de ouvir, faziam a letra mais bonita do que ela é quando traduzida literalmente para o português. Achava o nome lindo: La vie em rose. Nunca pensava nela em português. A vida cor-de-rosa perdia a graça. Cor -de -rosa para mim era insossa, sem tempero.
Todo esse preâmbulo é na verdade para dizer que nunca gostei de cor-de-rosa, só de rosa escuro, rosa forte - que hoje se chama de rosa Pink... - Aquela cor rosa clarinho nunca me atraiu. Talvez porque na minha infância, tudo que se referisse as meninas fosse cor- de- rosa. Os vestidos de festa, os laços de fita, as flores dos chapéus e de quebra as paredes dos quartos e as roupas de cama. Tudo cor-de-rosa. Bem clarinho. Nada de cores fortes, vibrantes. E eu queria o colorido, os fins de tarde com por de sol tingindo o céu de laranja e vermelho. A primavera colorindo as árvores e as flores nas mais variadas matizes. O sol do verão refletindo-se nas águas azuis do Uruguai, e no inverno o crepitar das fogueiras de São João com suas chamas serpenteando e laçando fagulhas no espaço, em ruas enfeitadas de bandeirinhas de todas as cores. Queria vestidos vermelhos, azuis, verdes, amarelos, com estampas floridas, só não queria os rosinhas.
Cresci, sobrevivi à cor- de - rosa, pude escolher as cores de minhas roupas, e nem a idade me faz usuária de cores esmaecidas. Fico feliz com as cores lindas que hoje vejo por toda parte. Nas roupas de homens e mulheres, nas vestimentas das meninas e meninos, nas casas, nas salas, nos quartos, nos carros. O colorido está em todos os lugares. Acabou-se a ditadura das cores clarinhas para este ou aquele gênero ou grupo de pessoas. E eu finalmente fiz as pazes com a cor- de - rosa. Comecei até a achar que é uma cor charmosa. Alguém pode pensar que é só para ser do contra, mas não é não. O motivo é simples,descobri um grupo de mulheres que se veste de rosa bem clarinho, porém faz um trabalho cheio de cor e sentimento tal qual a canção de Edith Piaf.São voluntárias que se dedicam a assistir pessoas que estão fragilizadas .São mulheres guerreiras numa luta difícil contra uma doença tão terrível que a maioria das pessoas prefere não nomear.Vocês já sabem quem são? Tenho certeza que sim. Claro, isso mesmo, as mulheres que me levaram a gostar de cor - de- rosa são elas: As mulheres curitibanenses da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Mulheres que fazem a vida cor-de-rosa!
Rose Kern,
julho de 2011.
A vida cor-de-rosa
Olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em tua boca
Aí esta o retrato sem retoque
Do Homem a quem eu pertenço
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Quando ele me tome em seus braços
Ele me fala baixinho
Vejo a vida cor-de-rosa
Edith Piaf

